Tem dias que dá uma vontade louca de mudar. Mudar por completo e fazer tudo diferente: mudar de país, de profissão, de casa, de idioma, de tipo de música, de estilo de roupa.
Tem dias que dá vontade de começar. Aliás, recomeçar, mas de forma a criarmos um recomeço totalmente contrário ao que conhecemos, para direcionarmos nossa vida para um outro caminho. Um novo caminho, ainda desconhecido por nossa culpa mesmo.

Culpa de termos tomado algumas decisões ou atitudes que nos levaram a caminhar pela trilha que nos encontramos hoje. Mas... resta sempre aquela dúvida: e se eu tivesse feito diferente?
E se tivesse feito tudo diferente, como seria o hoje?
É uma dúvida que não quer calar...

Quem fez o Leader Training sabe como é bom ser madrinha ou padrinho de novos "silvas". E eu não sabia, mesmo tendo feito o LT há um bom tempo. Não tinha tido ainda o prazer de acompanhar amigos nessa intensa jornada.

A emoção é forte. A expectativa, mais ainda. Ficamos preocupados se o nosso "afilhado" estará bem durante os três dias de treinamento.
O último então, quando vamos buscá-los, é também o mais emocionante. Ficamos mais ansiosos do que qualquer pessoa. A espera é interminável, principalmente depois que assistimos aos vídeos com os depoimentos dos treinandos, carregados de emoção e gratidão. As lágrimas já teimam em cair, não tem quem segure o sentimento: homens, mulheres, senhores.

As lembranças do LT voltam à tona, como em um passe de mágica. Surge uma saudade tão grande de vivenciar tudo aquilo novamente. Experiências fantásticas, que só quem fez o LT sabe. É algo indescritível...

Depois de algumas semanas convivendo com o calor insuportável, finalmente nesta madrugada choveu.

Aquele cheiro de terra molhada, que há tempos não sentia. Aquele ventinho, nem gelado, nem abafado, que até nos faz cobrir com um lençol ou um fino cobertor. Aquele barulho da chuva caindo, que embala o nosso sono, como se fizesse parte de uma trilha sonora, dessas de CDs de relaxamento. Ah, como é bom sentir a presença da natureza, que nem sempre é percebida por nós...

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

É engraçado como nem prestamos atenção em certas letras de música. "Epitáfio", dos Titãs, é uma das que vale a pena ouvirmos quando estivermos com medo de arriscar. Ela nos faz lembrar o quanto nossa vida passa sem termos realmente "vivido" por preocupações banais.

Inúmeros livros, filmes, palestras falam sobre o controle que nós temos de nossas próprias vidas. Até mesmo as filosofias e religiões, como o budismo, pregam tal conceito. Dizem que somos nós quem damos a direção para onde queremos caminhar e que está em nossas mãos alcançar a felicidade e viver uma vida plena e exatamente da maneira como sonhamos.

E daí, o famoso poder do pensamento ter ganhado tamanho destaque: "pense dessa forma que você atrairá tal situação". Quantas vezes já ouvi essa orientação? Foram incontáveis as vezes.
Agora eu pergunto: será que é apenas o nosso pensamento o único responsável pelo nosso destino? Será que não temos outros fatores que vão também desenhar o nosso caminho? Será que em nada influencia o destino, os karmas, as vidas passadas que nos fazem passar por situações como evolução do nosso espírito?

A reflexão vai longe.

Semana passada, a convite de um amigo, fui ver uma comédia stand-up, pela primeira vez. Em uma plena terça-feira fria, o pequeno show de comédia foi apresentado em um barzinho, em São Paulo.
Estava cansada, com muito sono, depois de um dia corrido, com muitas coisas para resolver. Mas, topei, queria aliviar o stress. Mas, ainda assim, foi a melhor escolha que fiz naquela semana.
A comédia stand-up foi muito boa. Dei muita risada com três atores, que tiravam piadas muito engraçadas, mesmo com improvisos que tiveram que fazer na hora. Nunca tinha visto essa modalidade de comédia e achei fantástico. Em apenas algumas horas, você consegue sair completamente das preocupações da rotina.

Acho que estamos tão acostumados com essa carga de stress, que é por esse motivo que as comédias stand-up estão sendo valorizadas. E precisam mesmo desse valor. Não é à toa que programas como o CQC, da Band, tem se tornado, na minha opinião, um dos melhores da TV. O Quinta Categoria (acho que é esse o nome do programa do Mion na MTV) também é sensacional! Eu não conhecia, mas assisti na semana passada por indicação de um amigo. E adorei! É um program que trabalha totalmente com o improviso, mas que arranca imensas gargalhadas, garanto. Fico encantada com a criatividade dos atores e, principalmente, o talento que tem para a comédia.

Outro dia vi que a comédia stand-up do Rafinha Bastos começa praticamete à meia-noite, aos sábados. Eu trocaria a balada por uma comédia dessas, com certeza! Desculpem o chavão, mas rir, ficar feliz e desestressada não tem preço!

Por indicação de um amigo, assisti Proposal Daisakusen, novelinha japa que conta a história de um rapaz que se arrepende imensamente, no dia do casamento de sua amiga de infância, por não ter declarado o seu amor a ela no passado. Um anjo então concede a ele a oportunidade de voltar no `túnel do tempo`, para que ele possa mudar suas atitudes e transformar, assim, o presente.

Claro que não vou contar o final, mas fiquei pensando que seria extremamente sensacional se houvesse essa oportunidade: de voltar ao passado pra agirmos de modo a mudar o nosso presente. E olha, que se eu tivesse essa oportunidade, eu precisaria de muito tempo lá no passado para modificar muita coisa. Há o famoso ditado que nos fala: "é melhor se arrepender do que fez do que não fez". Concordo, mas me arrependo também imensamente de coisas que fiz. Foram histórias que em nada me acrescentaram ao que sou hoje, apenas me fizeram perder tempo. Aliás, muito tempo com caminhos errados, pessoas erradas. Histórias que poderiam nem ter existido, se eu tivesse a consciência e a maturidade de hoje.

Ou, se pudessemos ter uma memória seletiva, apenas das boas coisas da nossa vida, seria também fantástico. Mas, enquanto não há essa possibilidade e não surge nenhum "anjo" como o da novelinha para nos dar a oportunidade de modificarmos o passado, o jeito é vivermos o presente, tentanto agir hoje da melhor forma, sabendo que já estamos produzindo um amanhã. E que seja sem arrependimentos.

Seguidores